#26 O Clássico Coado (Filtro de Papel)

Sep 15, 2025Por Diorge Nacarato
Diorge Nacarato

V60, Melitta, Koar e Outros

O café coado, preparado utilizando um filtro de papel, é indiscutivelmente o método mais icônico, tradicional e difundido nos lares brasileiros.22 Sua simplicidade aparente esconde uma profundidade que permite explorar as nuances dos cafés, especialmente os de alta qualidade. O princípio básico é a percolação: a água quente passa através de uma camada de café moído contida em um filtro, extraindo os compostos solúveis e gotejando para um recipiente inferior.7

Uma das principais características do café coado em filtro de papel é a limpeza da bebida resultante.7 O papel, especialmente os de boa qualidade, retém a maior parte dos óleos naturais do café e as micropartículas (os "finos"). Isso resulta em uma xícara com corpo mais leve a médio, maior clareza de sabor e destaque para os aromas mais delicados e a acidez do grão.7 É um método excelente para apreciar as características sutis de um café especial brasileiro, permitindo que as notas florais, frutadas ou cítricas brilhem.

Embora o conceito seja simples, existe uma variedade de porta-filtros (ou coadores) que implementam pequenas variações no design, influenciando o fluxo da água e, consequentemente, a extração. O Hario V60, de origem japonesa, é um dos favoritos no mundo do café especial.17 Seu formato cônico, grande abertura única no fundo e ranhuras internas em espiral promovem um fluxo de água mais rápido e exigem uma técnica de despejo cuidadosa para controlar a extração.17

O Melitta, de origem alemã, é talvez o mais tradicional em muitos lares.17 Possui um fundo chato com um ou mais furos pequenos, o que restringe um pouco o fluxo da água, permitindo um tempo de contato ligeiramente maior e uma extração talvez mais "indulgente" a pequenas variações na técnica. O Koar, um porta-filtro de cerâmica desenvolvido no Brasil, também ganhou popularidade, apresentando um design com ondas ou sulcos que buscam otimizar o fluxo e a extração.17 Outros métodos como Chemex (com seu filtro espesso) ou Kalita Wave (com fundo plano e três furos) também se enquadram na categoria de coados.

Para obter um excelente café coado, alguns fatores são cruciais. A proporção entre a quantidade de café moído e o volume de água é fundamental (uma referência comum é 1:15 a 1:17, ou seja, 1g de café para cada 15-17ml de água). A temperatura da água deve ser quente, mas não fervente (idealmente entre 90°C e 96°C). A moagem deve ser média, ajustada conforme o porta-filtro e o tempo de extração desejado.7

A técnica de despejo da água também impacta significativamente. A maioria dos métodos se beneficia de uma pré-infusão (ou bloom), onde uma pequena quantidade de água é despejada inicialmente para liberar o CO2 preso no café moído. Depois, a água restante é despejada em movimentos circulares e controlados, buscando manter o nível de água constante e garantir que todo o café seja saturado uniformemente.7 O tempo total de extração (geralmente entre 2 a 4 minutos, dependendo do volume) é um indicador importante do ajuste da moagem e da técnica.7 Dominar a arte do coado é redescobrir a simplicidade e a elegância do café brasileiro.